Cúpula do MERCOSUL em Foz do Iguaçu marca fim da presidência pro tempore brasileira
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Cúpula do MERCOSUL em Foz do Iguaçu marca fim da presidência pro tempore brasileira

Encontro na cidade paranaense será no próximo sábado (20). À frente do bloco, Brasil impulsionou o comércio intrarregional, fortaleceu a agenda ambiental e ampliou a dimensão social da integração sul-americana
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Cúpula do MERCOSUL em Foz do Iguaçu marca fim da presidência pro tempore brasileira
Encontro na cidade paranaense será no próximo sábado (20). À frente do bloco, Brasil impulsionou o comércio intrarregional, fortaleceu a agenda ambiental e ampliou a dimensão social da integração sul-americana
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Publicado em 15/12/2025 15h11
Atualizado em 15/12/2025 16h22
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A embaixadora Gisela Padovan explicou, durante o briefing para a imprensa, que um dos objetivos do Brasil na presidência pro tempore do MERCOSUL foi reforçar a coesão, identificar problemas e fortalecer o mercado comum – Foto: Diego Campos/Secom-PR

Opresidente Luiz Inácio Lula da Silva participa, no próximo sábado (20), em Foz do Iguaçu (PR), da LXVII Cúpula de Chefes de Estado do MERCOSUL e Estados Associados. O encontro marca o encerramento da presidência pro tempore brasileira do bloco, que foi caracterizada pelo fortalecimento das articulações políticas, econômicas e sociais entre os países da região e com parceiros externos.

“Uma das prioridades foi reforçar o comércio intrabloco. Também defendemos pontos específicos, como a inclusão dos setores automotivo e açucareiro”

Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores
Ao longo do período em que esteve à frente do MERCOSUL, o Brasil atuou para ampliar a coesão do bloco, reforçar o mercado regional e atualizar agendas estratégicas diante dos desafios contemporâneos, como a transição energética, o desenvolvimento tecnológico e o enfrentamento ao crime organizado transnacional.

Segundo a secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, embaixadora Gisela Padovan, o comércio intrabloco tem papel central nesse esforço. “O comércio regional tem alto valor agregado: 75% do que circula são produtos de alto valor agregado, o que significa emprego e renda. Um dos objetivos do Brasil foi reforçar a coesão, identificar problemas e fortalecer o nosso mercado comum”, afirmou, em conversa com jornalistas na manhã desta segunda-feira, 15 de dezembro.

PRIORIDADES BRASILEIRAS — Durante a presidência pro tempore, a atuação brasileira esteve organizada em cinco pilares fundamentais:

Fortalecimento do comércio entre os países do bloco e com parceiros externos
Enfrentamento da mudança do clima e promoção da transição energética
Desenvolvimento tecnológico
Combate ao crime organizado
Promoção dos direitos dos cidadãos do MERCOSUL
Nesse contexto, o Brasil trabalhou para aprofundar o comércio intrarregional e defender a inclusão de setores historicamente relevantes para a economia brasileira. “Uma das prioridades foi reforçar o comércio intrabloco. Também defendemos pontos específicos, como a inclusão dos setores automotivo e açucareiro”, destacou a embaixadora.

REDUÇÃO DE ASSIMETRIAS — Outro eixo relevante da presidência brasileira foi o debate sobre a renovação do Fundo para a Convergência Estrutural do MERCOSUL (FOCEM). Ao longo de seu primeiro período de vigência, o FOCEM desembolsou cerca de US$ 1 bilhão em mais de 60 projetos estruturantes nos países do bloco. “Começamos a discutir a renovação do FOCEM. Pretendemos manter, pelo menos, o mesmo nível de investimento. O Brasil é o principal contribuinte e estamos trabalhando para um novo aporte, incluindo a Bolívia”, explicou Padovan.

INOVAÇÕES — A presidência brasileira também promoveu iniciativas inéditas, como a realização do primeiro Fórum Empresarial Agrícola do MERCOSUL. “Apesar de sermos uma potência agrícola, nunca havíamos reunido as principais confederações do setor. Esperamos que esse espaço de diálogo continue”, afirmou a embaixadora, ao destacar a participação das entidades agropecuárias na identificação de prioridades e desafios do setor.

Na mesma linha, foi lançada a agenda do MERCOSUL Verde, com duas frentes principais: o aprofundamento de práticas agropecuárias sustentáveis e a projeção internacional dessas práticas. “É importante transmitir ao mundo a sustentabilidade da nossa agricultura, evitando que barreiras protecionistas sejam revestidas de legislação ambiental”, disse.

O Brasil também impulsionou a criação de um novo grupo voltado à inclusão de micro, pequenas e médias empresas no comércio regional. “São empresas majoritariamente chefiadas por mulheres, e queremos que tenham sua primeira experiência internacional em um ambiente seguro e regulado, como o MERCOSUL”, destacou a embaixadora.

“O Brasil sempre valorizou muito e continuará a valorizar a dimensão social e cidadã da integração. São os direitos que os cidadãos têm ao fazerem parte de um mecanismo como o MERCOSUL”

Gisela Padovan
DIMENSÃO SOCIAL — A valorização da dimensão social da integração regional foi outro destaque da atuação brasileira. “O Brasil sempre valorizou muito e continuará a valorizar a dimensão social e cidadã da integração. São os direitos que os cidadãos têm ao fazerem parte de um mecanismo como o MERCOSUL”, ressaltou a embaixadora.

Nesse âmbito, o país trabalhou para apoiar o processo de incorporação normativa da Bolívia como novo Estado-parte, que envolve mais de 3 mil normativas e cerca de 120 acordos. “Realizamos três reuniões com a Bolívia e esperamos que o ritmo siga para facilitar o processo”, explicou.

O Brasil também atuou para revitalizar os institutos vinculados ao bloco, como o Instituto de Políticas Públicas em Direitos Humanos (IPPDH) e o Instituto Social do MERCOSUL, considerados fundamentais para a integração regional, além de avançar na organização da Cúpula Social, espaço de diálogo direto entre governos e sociedade civil.

BALANÇA COMERCIAL — De janeiro a novembro de 2025, o intercâmbio do Brasil com os demais países do MERCOSUL foi de US$ 40,7 bilhões. As exportações brasileiras alcançaram US$ 23,8 bilhões e as importações, US$ 16,9 bilhões, gerando superávit de US$ 6,9 bilhões. A pauta de importações brasileiras é baseada, principalmente, em veículos automotores para transporte de mercadorias e passageiros, trigo e centeio não moídos e energia elétrica. O Brasil exporta majoritariamente veículos de passageiros e mercadorias, produtos da indústria de transformação e minério de ferro.

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Maryhanderson Ramos Ovil
Jornalista e redatora, publicitária

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